Leymah Gbowee, galardoada com o Prémio Nobel da Paz, foi inspirada pela ADRA

publicado dia 16 de Dezembro de 2011 as 2:46 pm por ADRA
categorias: Destaques, Mundo, Notícias

13.12.2011) Oslo, Noruega…[ASN]. Galardoada com o Prémio Nobel da Paz deste ano, Leymah Gbowee deu à ADRA Noruega e à ADRA Libéria, novas perspectivas na forma de encarar a perda dos seus trabalhadores na Libéria em 2003. Leymah tinha-se encontrado com Kare Lund e outros trabalhadores da ADRA no mesmo dia em que eles foram mortos. Naquela noite, quando ela chegou a Monróvia, ela ouviu a notícia de que os trabalhadores da ADRA estavam desaparecidos.

A ADRA Noruega tem uma história especial com a Libéria e com o movimento de paz, o qual, está por trás destas mulheres Liberianas que, neste fim de semana, foram premiadas com o Prémio Nobel da Paz. A ADRA está presente na Libéria há duas décadas. Durante a guerra civil, no início da década de 2000, a ADRA Noruega e a ADRA Libéria trabalharam juntas numa operação de emergência para Liberianos que haviam retornado para casa depois de algum tempo como refugiados na Costa do Marfim. Durante uma viagem para acompanhar o progresso do projecto, o director da ADRA Noruega, Kare Lund, o director da ADRA Libéria e o motorista que estava com eles, foram mortos por “soldados governamentais”. Os detalhes sobre este incidente continuam por explicar, mas é sabido que estes indisciplinados soldados actuaram em benefício próprio. A guerra civil na Libéria custou a vida a três pessoas que tinham dedicado a sua existência a ajudar os outros. As famílias destes homens – todos eles maridos, pais e irmãos – sofreram uma perda insubstituível de entes queridos e a ADRA perdeu alguns dos seus melhores trabalhadores.

“Sexta-feira passada, 9 de Dezembro, eu juntamente com a viúva e a filha de Kare Lund e o Director da ADRA Libéria, tivemos o prazer de nos reunir com as duas vencedoras do Prémio Nobel da Paz, que são da Libéria, a Presidente Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee. O nosso pedido para nos encontrarmos com as vencedoras do Nobel, não era somente para felicita-las, mas também para lhes proporcionar a oportunidade delas conhecerem Christel Lund, a viúva de Kare, e também para assegurar a continuidade do apoio da ADRA e do nosso compromisso com a Libéria, apesar dos incidentes de 2003.

Como líder da direcção, eu estava preparado para falar sobre o trabalho da ADRA na Libéria e esperava ouvir as vencedoras do Nobel falarem dos seus feitos, vitórias políticas e visão para o futuro da Libéria. A reunião transformou-se então num encontro bastante pessoal entre estas mulheres, que, de diferentes maneiras, lutaram pela paz na Libéria.

Soubemos então que ambas, a Presidente Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee, estavam bem familiarizadas acerca dos eventos que haviam abalado a ADRA e as famílias daqueles homens, em 2003. Durante a reunião, a Presidente Johnson Sirleaf explicou que o assassinato dos trabalhadores da ADRA e outros eventos similares foram levados a cabo por falsos soldados que não tinham nem dinheiro, nem disciplina. Ela falou sobre um ano muito difícil para a Libéria, que afectou também pessoas que visitavam e trabalhavam no país. Os Liberianos mataram o seu próprio povo, violaram mulheres e crianças, e atacaram todos os que tentavam ajudar.

Mas, foi Leymah Gbowee que nos deu novas perspectivas sobre a perda dos nossos trabalhadores. A sua impressionante história é que ela e os seus trabalhadores tinham-se encontrado com os três trabalhadores da ADRA no dia em que eles foram mortos. Eles tinham-se encontrado num ponto de inspecção e foram abordados pelos mesmos soldados. Naquela noite quando ela chegou à Monróvia, ela ouviu que os trabalhadores da ADRA estavam desaparecidos.

Gbowee então afirmou que o horrível assassinato dos trabalhadores da ADRA foi uma inspiração para ela, que culminou com o seu trabalho como assistente social, que a levou a dedicar-se a trabalhar com toda a sua força em prol da paz e dos direitos das mulheres. O assassinato dos trabalhadores da ADRA deu um novo alento aos esforços de paz, e este inspirado movimento foi reconhecido através do Prémio Nobel da Paz na cidade de Oslo.

Estes entes queridos jamais serão substituídos. Mas, a história da presidente Johnson Sirleaf e de Leymah Gbowee, deu-nos uma nova fé no trabalho da ADRA – ou seja, aquilo que fazemos é importante! Neste dia, nós recebemos a confirmação de que eles morreram fazendo um trabalho significativo que representava muito para muitos. “Isto não diminui a dor da perda, mas cria um orgulho maior pelo trabalho que ele fez,” escreve a filha de Kare Lund, Annika, no seu blog.

A lição dada por Tawakkol Karman sobre protestos de rua é real: “Juntos alcançaremos os nossos sonhos”. É um privilégio para a ADRA poder encontrar-se com estas grandes mulheres. Aquelas que transformam o mundo, uma vida de cada vez!

A ADRA é uma organização não-governamental presente em 125 países. Implementa projectos de desenvolvimento comunitário sustentável e socorro em desastres. A ADRA assume o princípio humanitário fundamental de independência, apoiando os seus beneficiários independentemente da associação política ou religiosa, idade, sexo, raça ou etnia.

Em Portugal, a ADRA é uma ONGD registada no IPAD (Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento), é membro da Plataforma Portuguesa das ONGD e é considerada instituição de utilidade pública.





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